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domingo, 9 de janeiro de 2011

Você tem coragem de dizer que não conhece Aluísio de Azevedo??? Fundador da Cadeira 4 da ABL

Aluíso Tancredo Gonçalves de Azevedo, nascido em São Luís-MA-Brasil (1857) e falecido em Buenos Aires-Argentina (1913) foi um dos mais importantes escritores brasileiros, pois foi o criador do naturalismo literário neste país.

Aluísio foi um crítico mordaz da sociedade brasileira e de suas instituições hipócritas, provavelmente como fruto de experiências pessoais bastante intensas, o que acabou por delinear toda a sua produção escrita.

 Seus pais não foram casados, mas viviam juntos, o que para a época foi escandaloso.

Sua mãe, Emília Amália Pinto de Magalhães, havia casado, contrariada, com um comerciante português aos 17 anos. Dadas as circunstâncias violentas do relacionamento, Emília, já com uma filha pequena, abandonou o marido e foi viver na companhia de amigos. Há registros que dizem que toda a sociedade de São Luís deixou de falar com ela e houve até quem lhe enviasse doces envenenados.

Passou a viver reclusa, trabalhando com costureira para sustentar a filha e a si mesma, quando conheceu o viúvo David Gonçalves de Azevedo, vice-cônsul de Portugal, com quem passou a viver sem contrair novas núpcias (não existia divórcio nesta época) e desta união resultou  cinco filhos, dois deles ilustres: Aluísio de Azevedo e Artur de Azevedo.

Aluísio foi caixeiro e guarda-livros na adolescência. Após este período, mudou-se para o Rio de Janeiro e estudou Belas Artes. Nesta época sustentava-se fazendo caricaturas para os jornais locais e ensaiava já escrever sobre o que desenhava.

Com a morte do pai em 1878, mudou-se novamente para São Luís-MA para cuidar da família, iniciando então sua carreira de escritor.

Seu primeiro romance publicado foi "Uma Lágrima de Mulher", sem grande repercussão. Dois anos depois, em 1881 lança "O Mulato", livro este que causou escândalo na sociedade maranhense, pois, além da linguagem crua,  tratava de preconceito racial em uma época em que o assunto do momento era a abolição. 

Dado ao grande sucesso da obra, Aluísio voltou para o Rio de Janeiro decidido a ganhar a vida como escritor.

O período de 1882 a 1895 foi caracterizado pela forte produção literária do autor, com produção de obras célebres como "Casa de Pensão" e "O Cortiço", esta último, leitura obrigatória para o vestibular até hoje.

Em 1895 ingressou na carreira diplomática e abandonou a vida de escritor. Casou-se com a argentina Pastora Luquez, com quem adotou dois filhos. Morreu em 1913, em Buenos Aires e lá foi enterrado. Seis anos depois, por iniciativa de Coelho Neto, a urna funerária foi removida e Aluísio foi sepultado em São Luís-MA.

Curiosidades:

-Antes de escrever um romance, Aluísio desenhava e pintava sobre papelão, as personagens principais, mantendo-as em sua mesa de trabalho, como fonte de inspiração.

- O manuscrito original de "O Mulato" é parte do acervo do Museu Histórico e Artístico do Maranhão, e foi doado para esta instituição em 2001, pelo imortal Josué Montello, um dos antigos integrantes da cadeira número 29.


Bibliografia

Obras: Os doidos (1879); Uma lágrima de mulher, (1880); O mulato, romance (1881);Flor-de-lis (1882);Casa de Orates (1882); Mistérios da Tijuca, romance (1882; reeditado: Girândola de amores); Memórias de um condenado (1882; reeditado: A condessa Vésper); Casa de pensão, romance (1884); Filomena Borges, romance (publicado em folhetins na Gazeta de Notícias, 1884); O caboclo (1886); O homem, romance (1887); Fritzmack (1889); A República (1890); O coruja, romance (1890); O cortiço, romance (1890); Um caso de adultério (1891);Em flagrante (1891); Demônios, contos (1895); A mortalha de Alzira, romance (1894); Livro de uma sogra, romance (1895); Pegados (1897);Obras completas (1939-41). Ficção Completa (em 2 volumes) de Aluísio Azevedo. Organização de Orna Messer Levin. Nova Aguilar, 2005.



terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Filinto de Almeida - fundador da cadeira 3 da ABL

Filinto de Almeida foi poeta e jornalista, sem jamais ter terminado seus estudos. Apesar de nascido em Portugal, adquiriu a nacionalidade brasileira em 1889, por ocasião da Proclamação da República.

Todos os estrangeiros que viviam no Brasil naquela época, que não manifestassem interesse em manter a nacionalidade original nos seis meses que precederam o 15 de novembro, tornavam-se brasileiros.

 Filinto era casado com a poetisa Júlia Lopes de Almeida e era pai de Margarida Lopes de Almeida, a mulher cujas mãos serviram de modelo ao Cristo Redentor (especulações sem provas).

Margarida Lopes de Almeida







Júlia Lopes de Almeida



O romance de maior repercussão escrito por Filinto chama-se "Casa Verde" e foi publicado na forma de folhetins do Jornal do Commercio, em parceria com sua esposa Júlia.

Bibliografia do escritor:

Um idioma, entreato cômico (1876); Os mosquitos, monólogo em verso (1887); Lírica (1887); O defunto, comédia em 1 ato (1894); O Gran Galeoto, drama em verso, traduzido em colaboração com Valentim Magalhães (1896); O beijo, comédia em 1 ato, em verso (1907); Cantos e cantigas, poesia (1915); Camoniana, sonetos (1945); Colunas da noite, crônicas (1945); Harmonias da noite velha, sonetos (1946); A casa verde, romance em colaboração com Júlia Lopes de Almeida, publicado em folhetins do Jornal do Commercio (18 dez. 1898 / 16 mar. 1899).

domingo, 19 de dezembro de 2010

O Príncipe dos Prosadores - Coelho Neto - Fundador da Cadeira 2 da ABL

Henrique Maximiano Coelho Neto (1864-1934), filho de um português e uma índia, nasceu em Caxias-MA.

Tentou estudar Medicina no Rio de Janeiro e também Direito em São Paulo, abandonando ambas as faculdades sem concluir seus estudos superiores. Na verdade, em relação ao último curso, entrou em atrito com o corpo docente do Largo São Francisco, vez que havia se dedicado arduamente na campanha abolicionista e republicana, o que não era bem visto pelos catedráticos. Diante das pressões, acabou por abandonar a carreira jurídica.

Trabalhou no jornal Gazeta da Tarde e posteriormente na Folha Cidade do Rio. Foi também professor de história da arte e de literatura, tendo, por fim, seguido a carreira política, ocupando os cargos de secretário do governo do Rio de Janeiro,  diretor dos negócios de Estado (RJ) e foi eleito deputado federal pelo Maranhão.

Foi casado com Maria Gabriela Brandão e com ela teve 14 filhos.

Publicou diversos trabalhos, nos mais variados gêneros e é considerado o escritor mais lido das primeiras décadas do século XX, inclusive sendo conhecido como "o príncipe dos prosadores". 

Em que pese tanto reconhecimento, pouco se ouve falar dele atualmente. Há quem diga que Coelho Neto ficou esquecido pelo mercado editorial e pelos leitores brasileiros porque sofreu duros ataques do Movimento Modernista.

Além de assinar sua obra com seu próprio nome, Coelho Neto escrevia sob os pseudônimos de Anselmo Ribas, Caliban, Ariel, Amador Santelmo, Blanco Canabarro, Charles Rouget, Democ N. Puck, Tartarin, Fur-Fur e Manés.

Cultivou várias correntes literárias entre elas: naturalismo, impressionismo, regionalismo e realismo, podendo ser classificado como um escritor pré-modernista.

Curiosidades:

- Coelho Neto escreveu o primeiro roteiro para o cinema nacional, mais especificamente para o filme "A Cidade Maravilhosa" (década de 30), pois foi ele quem criou para o Rio de Janeiro o título de "cidade maravilhosa", em um artigo que escreveu para o folhetim "A Notícia".

- Coelho Neto é pai de Preguinho, o autor do primeiro gol da Seleção Brasileira em Copa do Mundo (Uruguai, 1930).

Abaixo, relação de obras escritas pelo autor:

Obras: Rapsódias, contos (1891); A capital federal, romance (1893); Baladilhas, contos (1894); Praga (1894); Fruto proibido, contos (1895); Miragem, romance (1895); O rei fantasma, romance (1895); Sertão (1896); Inverno em flor, romance (1897), Álbum de Caliban, contos (1897); A descoberta da Índia (1898); O morto, romance (1898); Romanceiro (1898); Seara de Rute (1898); A descoberta da Índia, narrativa histórica (1898); O rajá do Pendjab, romance (1898); A Conquista, romance (1899); Saldunis (1900); Tormenta, romance (1901); Apólogos(1904); O bico de pena (1904); Água juventa (1905); Treva (1906); Turbilhão, romance (1906); As sete dores de Nossa Senhora (1907); Fabulário (1907); Jardim das Oliveiras (1908); Esfinge (1908); Vida mundana, contos (1909); Cenas e perfis (1910); Mistério do Natal (1911); Banzo, contos (1913); Meluzina (1913); Contos escolhidos (1914); Rei negro, romance (1914); O mistério (1920); Conversas (1922); Vesperal (1922); Amos (1924); Mano, Livro da Saudade (1924); O povo, romance (1924): Imortalidade, romance (1926); O sapato de Natal (1927); Contos da vida e da morte, contos (1927); Velhos e novos (1928); A cidade maravilhosa, contos (1928); Vencidos (1928); A árvore da vida (1929); Fogo fátuo, romance (1929).
Teatro: Teatro,vol.I: O relicário, Ao raio x, O diabo no corpo (1911); vol. II: As estações, Ao luar, Ironia, A mulher, Fim de raça (1907); vol. III: Neve ao sol, A muralha (1907); vol.IV: Quebranto e Nuvem (1908); vol.V: O dinheiro, Bonança, O intruso (1918); vol.VI: O patinho torto, A cigarra e a formiga, O pedido, A guerra, O tango, Os sapatos do defunto (1924).
Crônicas: O meio (1899); Bilhetes postais (1894); Lanterna mágica (1898); Por montes e vales (1899); Versa (1917); A política (1919); Atlética (1920); Frutos do tempo (1920); O meu dia (1922); Frechas (1923); As quintas (1924); Feira Livre (1926); Bazar (1928).




sábado, 11 de dezembro de 2010

Quem será Luís Murat? - cadeira 1 da ABL - fundador


Quem será Luís Murat, o fundador da cadeira número 1 da Academia Brasileira de Letras? Essa foi a primeira pergunta que veio a minha cabeça. Sei lá porque, sempre pensei que essa cadeira era de Machado de Assis, até porque a ABL foi fundada por iniciativa dele.





Luís Murat, esse poeta desconhecido da maioria dos brasileiros, que dá nome a uma rua na Vila Madalena, aqui em São Paulo, até deputado pelo estado do Rio de Janeiro já foi. Dizem as más língua, que ele era viciado em brigas de galo.

Murat nasceu durante o Brasil Imperial, em 1862, em Rezende-RJ. Foi jornalista fundador do jornal Vila Moderna (tiragem entre 1886 e 1887) e muito empenhado na causa abolicionista, em que pese, como muitos escritores brasileiros, ter cursado Direito.

Sua poesia romântica liga-se acidentalmente ao parnasianismo, mais por análise dos críticos do que por inclinação do poeta, que escrevia sem qualquer preocupação em filiar-se a uma escola.

Seu poema mais famoso "A Última Noite de Tiradentes" foi publicado em 1890 no Jornal Gazeta de Notícias.

Além disso, sua obra inaugural "Quatro Poemas" lançada em 1885 é considerada de grande valor literário.

Veja um pouquinho da obra dele:


IRONIA DO CORAÇÃO
Como estavas formosa entre o mar e a minh'alma!
Ias partir... no céu vinha rompendo a aurora.
Eu te pedia - luz, tu me pedias - calma;
Eu te dizia: - "Crê"; tu me dizias: - "Chora!"
Beijei-te as mãos, beijei-te os pequeninos pés,
Como os lábios de um padre um assoalho sagrado.
Longe, ouvia-se ainda, entre os caramanchéis,
A melodiosa voz do luar apaixonado.
"É a voz do nosso amor, nos esponsais das flores.
Não chores mais, acalma a tua ansiedade.
Assim, como hei de eu dar tréguas às minhas dores,
E recalcar no peito esta amarga saudade?"
Partiste... Sobre mim cerrou-se a escuridão.
E eu não ouso subir aos meus sonhos agora,
Porque, irônico e mau, me grita o coração,
Quando não creio: "crê!", quando não choro: "chora!"
(Luís Murat, Poesias escolhidas, 1917.)

Semana que vem: Coelho Netto, o fundador da cadeira nº 2.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Academia Brasileira de Letras - Overview

A Academia Brasileira de Letras (ABL) foi fundada em 20 de julho de 1897, por Machado de Assis, no Rio de Janeiro-RJ, tendo como foco o cultivo e o aprimoramento da língua e da literatura nacional.

É formada por 40 membros efetivos e perpétuos (cargo vitalício), eleitos em votação secreta. Além disso, conta com a participação de 20 membros estrangeiros que atuam como correspondentes. Pelo estatuto da Academia, somente podem se candidatar os brasileiros natos, que tenham, em qualquer dos gêneros da literatura, publicado obras de reconhecido mérito ou livro de valor literário fora desses gêneros. Pelo menos 25 dos membros devem residir no Rio de Janeiro.


Está sediada na Av. Presidente Wilson, nº 203, Castelo, Rio de Janeiro-RJ, no Palácio Petit Trianon, doado pelo governo francês em 1923. Este palácio foi construído por ocasião da Exposição Internacional Comemorativa do Centenário da Independência do Brasil no ano anterior.



Trata-se de uma réplica do palácio de mesmo nome, construído no século XVIII, pelo rei da França Luis XV, para sua amante preferida, Madame de Pompadour, no interior do Parque do Palácio de Versailles, nas proximidades de Paris.




Conta ainda com o Palácio Austregésilo de Athayde, ao lado do Petit Trianon, onde se situa a diretoria da Academia.




A ABL confere aos escritores diversos prêmios literários desde 1909. Após a reforma do regimento interno da Academia, em 1998, e mais algumas alterações recentes, os prêmios que passaram a ser concedidos anualmente são os seguintes:

Prêmio Machado de Assis - para conjunto de obras
Prêmio ABL de Poesia
Prêmio ABL de Ficção
Prêmio ABL de Ensaio
Prêmio ABL de Literatura Infantojuvenil
Prêmio ABL de Tradução
Prêmio ABL de Ciências Sociais

Além destes, há  prêmios  de outras periodicidade:

Prêmio Francisco Alves (de 5 em 5 anos) - Monografias sobre o Ensino Fundamental e a Língua Portuguesa 

Prêmio Senador José Ermínio de Moraes - patrocinado pelo Grupo Votorantin e pela família Ermínio de Morais

É comum, ainda,  a Academia conceder premiações por ocasião de alguma comemoração como ocorreu em 2001 com o Prêmio José Lins do Rego e em 2005 com o Prêmio Afonso Arinos.

A ABL também oferece ao público diversas publicações literárias, que se iniciaram em 1923. Atualmente publica a Revista Brasileira, as coleções Afrânio Peixoto, Astregésilo de Athayde e Antônio Morais Silva, os Anais da ABL e os Discursos Acadêmicos.

A Academia é bastante criticada pelo público por não ter tido suas cadeiras ocupadas por monstros sagrados da literatura como Monteiro Lobato, Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Vinícius de Moraes e Mário Quintana. Além disso, concedeu a honra da imortalidade a figuras controversas como o ex-presidente José Sarney, o cirurgião plástico Ivo Pitanguy e o polêmico escritor Paulo Coelho.

Há quem diga ainda que a Academia deixa a desejar quando se trata da realização de projetos de fomento a cultura e a formação de novos leitores, pois, apesar de possuir verba, não promove campanhas de alfabetização ou mesmo procura incentivar a reedição de obras esgotadas.

Por outro lado, vale a pena dar uma passadinha rápida no site da ABL e fazer um pequeno tour por lá. É possível fazer o download de diversas publicações, enviar dúvidas sobre a língua portuguesa e obter esclarecimentos, realizar visita virtual ao Petit Trianon, etc, etc, etc...

Bem, para esta semana era isso. 

Na próxima postagem irei falar sobre Luís Murat, o fundador da cadeira número 1.

Até lá!