Toda vez que entro no Pão de Açúcar e vejo a cena da foto respondo mentalmente para a sacola: " Não, você não é uma sacola verde, você é bege e um dia ficará branca de tanto ser lavada. Reze para ser comprada e usada, porque a maioria das pessoas não tem consciência ecológica e pode ser que você passe a sua vida inteira pendurada aí, vendo o ir e vir das pessoas. Ou procure um psicólogo para te ajudar a descobrir quem você é, mas definitivamente e sem sombra de dúvida, você não é verde. Desculpa ser eu a ter que dizer isso pra você."
E por causa desta atitude correta do Grupo Pão de Açúcar frente ao que fazemos contra nosso planeta em termos de conservação e utilização dos recursos naturais, minha cabeça virou um liquidificador de ideias. Veja só o que uma sacola em crise de identidade pode fazer com um cérebro hiperativo!
Ocorreu-me que sempre que falamos em ecologia, ecossistema, sustentabilidade, Direito Ambiental, conservação dos recursos utilizamos a cor verde como referência. Não consigo entender por quê!!!
Nosso planeta é azul, isso já foi provado pelas imagens de satélite feitas do espaço. A superfície da terra é recoberta de 75% de massas líquidas, ou seja, água! Leitores, que cor é a água pra vocês (daltônicos não respondam, nem você sacola!!!)? Pra mim a água é azul, assim como o céu. Conforme a profundidade da água ou as mudanças climáticas do tempo em relação ao céu, mudam os tons e nuances, mas sempre será azul combinado com alguma outra cor, que dá vida aquela imensidão de paz e de beleza divina. Sei que físicos e químicos talvez contestarão essa reflexão, mas estou falando da experiência empírica e não de pesquisa científica.
Por outro lado, a sacola em seu grito público de "eu sou uma sacola verde", fez-me girar o foco para outro lugar, aquele solitário e escondido, onde ficam as pessoas que não se conhecem. Que precisam ser verdes, que acham que são verdes, que acreditam que ser verdes é a única e melhor alternativa a seguir. E esquecem da beleza que é ser bege. Uma cor que aceita a interação com todas as outras. Que reflete muito mais a luz do sol, que alimenta a imensidão da vida neste lugar, muito mais do que o verde.
Quantas pessoas você conhece que afirmam ser verdes e você tem a nítida sensação de que está vendo outra cor e se pergunta: mas porque este cidadão insiste com verde se está claro para todo mundo que é bege!!! E porque tanto repúdio ao bege... medo de descobrir um mundo de infinitas possibilidades não exploradas? Afinal, o bege é diferente do verde e terá experiências diferentes dele. E tem mais!!! Bege, para a opinião pública é insono, verde é ecologia, em que pese nosso mundo natural ser azul e ninguém nem se lembrar dessa cor nessa hora.
Quem tem natureza bege e continua sendo verde para agradar aos outros contribui para o daltonismo emocional que virou doença contagiosa num mundo que acredita cada vez mais na razão pura. Quem é bege e quer ser verde está condenado, talvez, a ficar pendurado em algum supermercado da vida, assistindo ao ir e vir das pessoas, porque quem não sabe o que é, não sabe onde está, então qualquer lugar serve.
Quantas pessoas você conhece que afirmam ser verdes e você tem a nítida sensação de que está vendo outra cor e se pergunta: mas porque este cidadão insiste com verde se está claro para todo mundo que é bege!!! E porque tanto repúdio ao bege... medo de descobrir um mundo de infinitas possibilidades não exploradas? Afinal, o bege é diferente do verde e terá experiências diferentes dele. E tem mais!!! Bege, para a opinião pública é insono, verde é ecologia, em que pese nosso mundo natural ser azul e ninguém nem se lembrar dessa cor nessa hora.
Quem tem natureza bege e continua sendo verde para agradar aos outros contribui para o daltonismo emocional que virou doença contagiosa num mundo que acredita cada vez mais na razão pura. Quem é bege e quer ser verde está condenado, talvez, a ficar pendurado em algum supermercado da vida, assistindo ao ir e vir das pessoas, porque quem não sabe o que é, não sabe onde está, então qualquer lugar serve.
E aí, depois de pintar um quadro em bege, azul e verde no pensamento, volto para o mundo real e preciso admitir caro leitor, nunca comprei essa sacola problemática.
Não porque eu não preserve o meio ambiente ou não adote de coração a ideia de proteção ecológica. Tenho três sacolas retornáveis que me acompanham ao supermercado. Uma é bege (risos), com logotipo e dizeres do Projeto Tamar, de proteção às tartarugas da Praia do Forte-BA, comprada para este destino, a outra é vermelha, presente da Citroen na revisão do meu carro, e a terceira é bege também (risos), com o logo da HBO, também presente.
O fato de eu não comprar a sacola "verde" é que sempre me pergunto: se ela é vendida no Pão de Açúcar, é exposta na entrada do supermercado, como que eu provo no caixa que a sacola que está comigo é minha, já paga em ocasião anterior, e não uma daquelas que até minutos atrás estava ali, gritando ao mundo que é "verde", já que todas são iguais?

Aí pensei, será que mais alguém deixou de comprar essa sacola pelo mesmo motivo? Ou foi porque ela se acha "verde"?